Tentara de toda maneira reconquistar a amada arredia, arisca, intransigente, grosseira e desagradável. Não, não e não era a resposta por certo. Namoro de criança que se estendera à vida adulta e por motivo trivial foi por água abaixo arrastando o penúltimo... O último fio de esperança que se escondia nas entranhas do músculo cardíaco do tristonho Biriba.
Trabalhava, intensamente, qual burro carregando carga, ora do descanso carregava pedras... Mutilado pelo cansaço físico e torturado pela saudade dela a eterna musa que o desprezava em palavras e gestos.
Ele mergulhava fundo no sonho que o acompanhava desde criança. O sonho de ser campeão. Quando a noite descia em seu negro manto lá vai Biriba estrada a fora correr, correr e correr. Seu biótipo era quase só pele e osso: pernas longas, pele morena, quando encharcado de suor parecia ter tomado um banho de café.
A poeira vermelha do chão batido pisoteado, abusado, lambuzado de idas e vindas praticadas por seres vivos e virtuais, de todo o tipo que nele pisara desde sempre envolvia o corpo esguio, atlético do Biriba que sentia como o manto da esperança que envolvia seu corpo, a alma e os pensamentos manto este superficial, descartável por hora uma vez que sairia com água e sabão, mas o sabor da vitória era permanente. Assim, ele trilhava o caminho da maratona que só a imaginação corre, percorre e recorre. Ele via-se e revia-se no topo do pódium. E corria, corria, corria cronometrando o tempo mental e físico.
O tênis surrado que já fora branco agora, era uma miscigenação de poeira, suor marcas do tempo mais parecia um trapo velho, deformado do que um pisante, mas era o que ele tinha seu companheiro de pisadas fortes, firmes, confortável, amaciado pelo uso, pelo tempo, sem tempo cronometrado. E tome treino, treino, treino, correr, correr e correr.
Fisicamente, inteiro, por dentro mutilado pela saudade, o desprezo, a solidão dela. Não comentava, sem palavras, lamúrias com dores e sem amores ele conduzia um saco virtual de desgraças pessoais impostas por este sentimento sem proporção maior do que a distância, do que o sorriso, maior do que tudo. Ele emendava: - O amor que a gente troca com alguém na vida não acaba nunca, nem que passe mil anos.
E lá vai Biriba pela estrada de terra e pedras em busca do sonho do pódium. E o pódium seria o trampolim, o alcance, o arrebatamento de trazer a sua deusa pra junto de si, vitória compartilhada.
Neste frenético vaivém na tarde vindoura igual às outras, sem graça vezes beirando a desgraça da perda sentia o temor, o odor, o ardor, a impotência física. Em pensamentos, ele desejou por um instante afundar-se no espaço, num buraco ou depressão sob o solo que pisava a ter que desistir dos sonhos.
Chorou. Pensamentos desordenados, vista turva, o suor banhava-lhe, intensamente, cada centímetro quadrado do corpo. Buscou equilíbrio, o corpo não obedeceu projetou-se no chão foi o encontro do corpo com o chão que lhe servira de leito... Derradeiro. Desamparado, inerte, sem vida, corpo de bruços, olhos abertos que tudo fitava e nada mais via.
A morte ceifou-lhe a vida, os sonhos, a incessante busca. Juntou, acumulou, misturou busca e sonhos, a somatória foi levada a tiracolo do lado do coração para um lugar não sabido e incerto. A sina, a saga é intransferível! O presente da vida é permanentemente presente.
Aí, o estoque de lágrimas secou. Os olhos secaram. Biriba não chora mais.
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