Persona non grata
Toca o interfrone, atendi. O porteiro indaga se autorizo receber a visita. - Sim, sim, mande subir. e fui esperar na porta de entrada. Quando a porta do elevador escancarou-se, lá vem a figura envolta num pano grande tipo cetim, brilhava! Olhei e nada mais vi a não ser o vulto sem pé e nem cabeça. Perguntei: - Que é isso? - Que raio de coisa é você? O vulto comprido, retilíneo, fininho, mas inflava-se ao falar expandindo-se, ganhando espaço... Percebi a artimanha, apressei: - Vamos coisa, identifique-se, vai! Ela responde quase inaldível: - Eu sou a SAUDADE. - O que? Falei em tom de desprezo. - Vai-te coisa ruim! - Você quase me enlouqueceu, quase morri, quase fui ao abismo, lembra-se? Ela afirmou: - Disse bem, quase...
Escute aqui dona saudade, volte daí mesmo. Só de ouvir falar de você eu já fico incomodado, eu fiquei traumatizado, desenvolvi um bulling, quase enlouqueci. Agora, tenho diante de mim essa coisa ruim que é você, pelo visto veio de mala e cuia, na íntegra, completinha. - Não, não, não, comigo não! Fechei a porta gritando: - Vai, vai, vai! - Esqueça-me por caridade, aqui não tem vaga, tive o cuidado de blindar meus sentimentos, o coração e os pensamentos, estou vacinado, respeite meus apelos e limites, matenha distância, viu?
Ah, acordei. Que sufoco, um sonho aflitivo, tentador, pesado, movido a tentações de lembranças adormecidas.
O sol, novinho de cada dia despertara-me. Logo, me lambuzei na vitamina D contida nos seus raios. Obrigado astro rei por haver despertado-me.
Nenhum comentário:
Postar um comentário